março Observatório Morro Azul
 
 

O eclipse total da Lua na noite de 03 para 04 de março de 2007

PAULO SERGIO BRETONES
Professor de Astronomia do curso de Geografia e
do Observatório do Morro Azul do ISCA Faculdades de Limeira

Na noite de 03 de março, observadores de várias partes do mundo terão a oportunidade de observar um eclipse total da Lua. O eclipse será visível na Ásia, na África, na Europa e nas Américas.
Denomina-se eclipse ao obscurecimento parcial ou total de um corpo celeste em virtude da interposição de um outro. A palavra eclipse vem do grego ekleipsis, que significa abandono, desmaio, desaparecimento. É uma das raras chances de observar-se um espetáculo tão belo da natureza. Embora os eclipses solares ocorram em maior número, vemos com mais freqüência os lunares, pelo fato de os últimos serem observados em áreas consideravelmente superiores à metade da Terra.
Os eclipses lunares ocorrem quando a Lua penetra no cone de sombra da Terra, o que só pode acontecer na fase de Lua cheia pelo seguinte: A Terra gira ao redor do Sol num plano. Por exemplo, supondo que o Sol esteja no centro da face superior de uma mesa, a Terra se move em torno do Sol no nível desta superfície. Ao mesmo tempo a Lua gira em torno da Terra, mas o plano de órbita lunar é inclinado um pouco mais de 5º em relação à face da mesa. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo da sombra. Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra, ou seja, passa por um nodo, e além disso o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar..


Planos

A sombra da Terra projetada no espaço se estende em forma cônica por cerca de 1,38 milhão de quilômetros. À distância de aproximadamente 360 mil quilômetros, onde está a Lua, o diâmetro da sombra tem cerca de 9 mil quilômetros. Além de uma parte escura, chamada umbra ou apenas sombra, a sombra da Terra tem uma parte cinzenta denominada penumbra. Mas é a sombra que dá o efeito de beleza ao fenômeno, pois a penumbra na maioria das vezes é imperceptível.


Corte Longitudinal

Na noite de 03 para 04 de março, a Lua irá nascer às 18h33min, mas às 18h30min, a Lua cheia começará a "mergulhar" na sombra da Terra. Assim, uma linha divisória surge como um entalhe no bordo lunar e penetrando cada vez mais até que às 19h44min a Lua estará toda coberta pela sombra de nosso planeta. Isso vai até às 20h57min quando começará a sair da sombra até que às 22h11min sairá por completo e estará novamente toda iluminada pelo Sol. Desta forma, o meio do eclipse ocorrerá às 20h20min.
Como a Lua já irá nascer eclipsada, vala a pena ir a locais altos para observar esse belo fenômeno. Ele possibilita a professores trabalharem conteúdos de Astronomia junto a seus alunos. Pode-se trabalhar, por exemplo, a idéia de que na data do eclipse, o Sol se põe às 18h35min e está no horizonte oeste, do lado contrário da Lua, que nasce no horizonte leste. Como no eclipse lunar a Terra está entre o Sol e a Lua, é fácil perceber isto quando um astro está nascendo de um lado enquanto o outro está na se pondo do outro lado.


Corte Transversal

Os eclipses lunares já foram mais importantes para a pesquisa astronômica. Eles forneceram a primeira prova de que a Terra é redonda, foram utilizados no estudo da alta atmosfera do nosso planeta, no estudo da rotação da Terra, no tamanho e distância do nosso satélite além de variações em seu movimento. Além disso, os eclipses podem contribuir com a História na determinação de datas que se deram em tempos remotos.
Segundo R. Mourão, até o século XVII os eclipses lunares serviram para determinação da longitude de vários locais. Como o contato do disco lunar com a sombra da Terra é visível no mesmo instante em todo o mundo, servia como sinal horário para os navegadores, fundamental na determinação da longitude de um ponto no mar ou das terras a serem exploradas. Em 1942 os astrônomos franceses Chalonge e Barbier, analisando a luz da Lua eclipsada, mostraram que a camada de ozônio da nossa atmosfera é mais densa entre 20 e 30 km de altitude.
Quando a Lua estiver toda imersa na sombra poderá tomar uma cor de cobre, isto é, avermelhada, pelo seguinte: A luz do Sol atinge a Terra e passa pela atmosfera. Os componentes da luz branca, que produzem as cores vermelha e laranja, espalham-se pelo ar cobrindo o céu com as cores do Sol no alvorecer e no crepúsculo. A refração transforma essas cores em sombra, por isso a Lua pode ficar avermelhada. O aspecto da Lua durante um eclipse total pode ser relacionado com a sua trajetória pela umbra, água, nuvens e partículas sólidas da atmosfera.


Aspectos da Lua durante um eclipse


Aspecto da Lua, no máximo do eclipse

Neste ano temos ao todo 4 eclipses sendo 2 eclipses totais da Lua e 2 eclipses parciais do Sol. Destes, os dois eclipses lunares e o eclipse do parcial do Sol de 11 de setembro serão visíveis no Brasil. O outro eclipse da Lua ocorrerá na noite de 27 para 28 de agosto. Abaixo, a carta do eclipse de 3 de março:


Carta geral do eclipse

As observações do eclipse total da Lua podem ser realizadas com binóculos, lunetas e telescópios de fraco aumento. Para fotografar o eclipse, são indicados filme de sensibilidade média ou rápida (400 ASA) e aconselha-se um tempo de exposição instantâneo (1/25 de segundo) e de alguns segundos durante a fase da totalidade. Para obter na mesma foto a seqüência do eclipse, deve-se fazer um ensaio na véspera para procurar o melhor local. É importante conhecer a trajetória aparente da Lua e utilizar mais de uma abertura e velocidade de disparo para garantir fotos de boa qualidade. Com a câmara fixa, apoiada em tripé, deve-se disparar manualmente (velocidade B) em intervalos de três, cinco minutos ou mais, sem avançar o filme. Usando-se teleobjetivas, como o campo é limitado, é possível obter imagens maiores da Lua e, portanto, nem sempre é possível fotografar, no mesmo quadro, toda a seqüência.

O evento tem a possibilidade de levar a ciência, através da observação do eclipse, a um grande número de regiões do país e às mais diversas comunidades para estudantes, professores e público em geral.
Vale a pena ficar acordado e reunir a turma para observar o fenômeno que é mais bonito de ser visto a olho nu. É um lindo espetáculo cujo único esforço necessário, se o céu não estiver nublado, é o de levantar a cabeça e deixar-se maravilhar pela sua beleza.

A Lua sempre foi tema para os poetas. Quem se lembra de Eclipse Oculto e Lua de São Jorge de Caetano Veloso ou Luar (A Gente Precisa Ver o Luar) de Gilberto Gil? E de Total Eclipse Of The Heart que fez muito sucesso na voz de Bonnie Tyler.

O Observatório estará aberto, com entrada franca, no campus do ISCA Faculdade, no sábado, dia 03 a partir das 18h. Será realizada uma palestra para explicação do eclipse e observações com o uso dos telescópios. O

Observatório está aberto a escolas e grupos em outras datas. As visitas devem ser agendadas pelo telefone 3404-4729 ou 3404-4754.

Bibliografia:

BOCZKO, Roberto. Conceitos de Astronomia. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 1984. 429p.

BRETONES, P.S. Os Segredos do Sistema Solar. São Paulo: Atual Editora, 1993. 44p.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Eclipses, da superstição à previsão matemática. São Leopoldo, Ed. Unisinos, 1993. 239p.

http://sunearth.gsfc.nasa.gov/eclipse/OH/image1/LE2007Mar03-Fig1.GIF

Dicas para fotografar o eclipse:

http://www.mreclipse.com/LEphoto/LEphoto.html

http://www.kappacrucis.com.uy/eclipse_de_luna.htm

 

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