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Resenha
e Análise Teórica do Filme
A confiança é um atributo essencial e indispensável na relação entre fonte, jornalista e empresa. Para toda produção jornalística existe uma fonte, onde o jornalista procura beber da mais pura água. Através dessa água pura, transparente e confiável, ele checa a qualidade e a veracidade, em prol da credibilidade de seu produto. Porém, sem o respaldo necessário que deve ser oferecido pela empresa à qual trabalha, toda sua produção pode ser perdida. Independência política e, principalmente, financeira, garante a integridade e a transparência nas imagens e palavras da empresa, o que é difícil, considerando que as organizações jornalísticas se tornaram como qualquer outra empresa capitalista que visa o lucro. O filme O informante - dirigido por Michael Mann e escrito em parceria por Mann e Erich Roth (Forest Gump - O Contador de Histórias) - conta a história real de Lowell Bergman, produtor do famoso 60 minutes da rede americana de televisão CBS, e do cientista Jeffrey Wigand, ex-pesquisador de uma grande empresa de tabaco, a Brown & Williamson, e aborda as relações existentes nos bastidores da mídia. Na década de 90, os cigarros estavam na moda e muito era investido nas propagandas cinematográficas das grandes marcas. Na época se realizavam estudos científicos que tentavam comprovar a dependência que a nicotina causava nos fumante. O que só foi confirmado em 1995, um ano após os fatos narrados no filme trazerem ao conhecimento da massa a manipulação da nicotina e de outros componentes químicos, como a amônia, que aumenta o nível de dependência nos fumantes. Bergman convence o cientista Wigand, ex-pesquisador da B&W, a ser seu informante e a depor sobre todas as informações que tinha conhecimento a respeito. O produtor assume, portanto, uma posição de mediador entre a ciência e a linguagem popular, um "tradutor passivo" (KUNCZIK,1997, P.102), que transmite ativa e criativamente as descobertas da ciência, denunciando, nesse caso, o que a empresa forçou a ciência a esconder, além de estar educando os telespectadores a respeito dos males do fumo Para garantir a integridade da empresa e não perder posição no mercado, a companhia utiliza meios legais e contratuais para impedir o ex-pesquisador de dar o depoimento. Vendo que esses meios não funcionam, começa-se uma campanha de difamação contra Wigand. Pesquisam toda a história de seu passado, multas, casamentos e etc,. com o intuito de denegrir a imagem deste a fim de diminuir sua credibilidade quando o depoimento fosse ao ar. Além de a companhia atacar o depoente, começa a ameaçar a empresa para qual Bergman trabalha, a CBS, que na época estava para ser vendida e não poderia sofrer grandes processos ou perderia os compradores. Assim, o departamento jurídico da CBS resolveu cortar o depoimento que Wigand, que a muito custo o produtor do programa conseguiu obter. O
caso é que a CBS não forneceu respaldo o suficiente para
o produtor de um dos programas de maior audiência dentro da empresa.
Admitindo o olhar crítico das teorias do jornalismo, pode-se notar
que a empresa de tabaco assumiu o papel de definidora primária
determinando, através de ameaças, o que iria ao ar a respeito
do caso, colocando a CBS dentro da espiral do silêncio, como diz
Noelle-Neuman:
As pessoas tendem a esconder opiniões contrárias à ideologia majoritária, o que dificulta a mudança e ajuda a manter o status quo. A opção pelo silêncio é causada pelo medo da solidão social, que se propaga em espiral e, algumas vezes, pode até esconder desejos de mudança presentes na maioria silenciosa. (apud SOUZA, 2002, p.155)
Assim, como diz Pablo Vilacti, em uma crítica ao filme, O Informante nos faz questionar a respeito de "Quem são os donos das notícias?". Além da teoria dos definidores primários e da espiral do silêncio, pode-se perceber que a empresa jornalística tem total influência no fluxo de informação que será abordado em seus programas. A teoria organizacional diz que o ofício do jornalista está condicionado ao meio que ele trabalha e "é dependente dos meios utilizados pela organização. E o fator econômico é exatamente o mais influente de seus condicionantes". (SOUZA, 2002, p.135). Nelson Traquina, em seu livro "Teorias do Jornalismo - porque as notícias são como são", na teoria organizacional diz que "o jornalista se conforma com as normas editoriais da política editorial da organização" (TRAQUINA, 2004, p. 152) o que não acontece com Bergman, mas sim com Mike Wallace e Don Hewitt, respectivamente o âncora e produtor executivo do programa. Ele não admite se tornar um instrumento da ação política da empresa, e procura de todos os meios possíveis conseguir colocar no ar a versão integral do programa. Para isso, Bergman passa de produtor à informante, e denuncia o esquema de silêncio no qual a CBS estava envolvida. Por
esse motivo, depois de muita luta, a entrevista na íntegra foi
ao ar e Bergman se demitiu, pois como jornalista não admitia não
poder oferecer às suas fontes a segurança necessária
quanto à transmissão de seus depoimentos. Não contar
com a independência do veículo para o qual trabalha e conquistar
a confiança da fonte sem poder garantir que as barreiras judiciais,
psicológicas e sociais que a mesma superou para depor não
são, para Lowell Bergman, sinônimos de jornalismo. Referências Bibliográficas
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