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Televisão:
Imagens e Mensagens de todo tipo Desde que os primeiros aparelhos de TV começaram a ocupar, no final dos anos 30, "o espaço nobre" nas salas de visita das residências norte-americanas, esse veículo de comunicação dirigido indiscriminadamente a populações inteiras vem, de forma progressiva, causando mudanças profundas na cultura, na economia, na política e na sociedade como um todo. Cada vez mais, boa parte do que reconhecemos como os "modos de vida"
e "de trabalho" na sociedade acaba impregnada da dinâmica
televisiva na produção de mensagens, como reflexo e resposta
aos anseios sociais tanto reais quanto imaginários. E aqui prefiro
dizer dinâmica televisiva, mais do que dinâmica das mídias
em geral, porque a supremacia da TV sobre os demais veículos de
comunicação é pura realidade, pelo menos até
o momento.
No entanto, durante essas décadas todas em que conquistou e influenciou
o gosto da audiência mundial, a TV carregou consigo o estigma da
banalização da cultura. Não sem razão: de
fato, a televisão adotou para si uma lógica comercial que
resultou numa programação de baixo nível em boa parte
das emissoras, com a importação de produtos enlatados e
exploração de imagens e temáticas com zero de informação
e entretenimento de mau gosto . Nos dias de hoje, o máximo que se credita à TV é que ela permite o acesso do público leigo a alguns conteúdos legitimamente interessantes do ponto de vista cultural, como se isso fosse de menor importância. Mas não se leva em conta que o alcance da televisão é tão grande, que a sua menor audiência supera de longe a de qualquer outro meio. Na TV, o produto mais sofisticado deixa de ser elitista, porque encontra sempre um enorme número de espectadores. Tendo isso em vista, importa começar a olhar a TV em seu conjunto (como qualquer outro meio de comunicação, ela admite conteúdos com menor, mas também com maior grau de qualidade) e aposentar a conclusão taxativa e simplista de que todo produto televisual é um lixo. Está na hora de valorizar as iniciativas (várias, por sinal!) de canais espalhados pelo mundo e também no Brasil. Afora as emissoras universitárias e ditas educativas (TVs USP, PUC, SENAC e Futura, entre outras), que abordam de maneira inteligente e criativa conteúdos mais sofisticados, vale lembrar os muitos programas da MTV e mesmo as minisséries produzidas em pleno seio da grande indústria cultural televisiva brasileira, que é a Rede Globo). As minisséries A Casa das Sete Mulheres (texto de Maria Adelaide Amaral e Walter Negrão e direção de Jayme Monjardim) e Um Só Coração (texto de Maria Adelaide Amaral e direção de Carlos Araújo) são boas demonstrações de que o público tem prazer, sim, em assistir a bons programas. Mesmo indo ao ar tarde da noite, na Rede Globo, A Casa das Sete Mulheres (cujo pano de fundo a Guerra dos Farrapos, nos pampas gaúchos, no século XIX) conseguiu uma audiência robusta - perto de 30 pontos de média no Ibope só na Grande São Paulo, em janeiro de 2003 - como resultado da produção criteriosa tanto na captação e edição das imagens quanto em termos de roteirização, direção e interpretação dos atores. O mesmo ocorreu com Um Só Coração, superprodução que mistura personagens reais e fictícios, ambientados na reviravolta cultural e política na cidade de São Paulo, a partir da década de 1920. Com o objetivo de homenagear os 450 anos da capital paulista, o programa estreou em 6 de janeiro desse ano, com a boa audiência de 35 pontos no Ibope. Mesmo que se tome como verdadeira a tradicional afirmação
de que a TV parece menos preocupada com o apuro da visão e o requinte
do olhar, e mais interessada em proporcionar acesso imediato a qualquer
que seja o tipo de imagem, por que não admitir esse procedimento
característico do veículo como o grande justificador da
sua existência? Por que não reconhecer a televisão
como, mais do que tudo, um espaço comum e plural, inserido numa
realidade coletiva e festiva, independentemente de conteúdo? Por
que, enfim, não encarar a televisão como um veículo
com potencial para a circulação de idéias tão
diversas quanto distinto é o conjunto de telespectadores, o que,
por sua vez, poderá se revelar na esteira da multiplicação
dos seus canais? Bibliografia GUNNING, Tom. Cinema
e história: fotografias animadas, contos do esquecido futuro do
cinema. In: XAVIER, I. (org.). O Cinema do Século. Rio de Janeiro:
Imago, 1996. |
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