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da América Latina
Jornal O Estado de S. Paulo
Histórico O
“A Província de São Paulo” surgiu em 4 de
janeiro de 1875. a maquina Alauzet imprimiu os primeiros exemplares de
um jornal republicano e com ideais abolicionistas. No primeiro exemplar,
o grupo paulista informou sobre as Idéias da Convenção de Itu, tendo como
meta, difundir a Republica do Brasil. Na época os redatores eram Rangel
Pestana e Américo Campos que iniciaram um trabalho na sociedade que não
admitia mão de obra escrava. Com a proclamação da Republica, em 1891, Julio de Mesquita torna-se diretor do jornal que passou a chamar-se “O Estado de São Paulo”. No final da década do século 20, o jornal chegou a tiragem de 30 mil exemplares diários. Fez campanha contra o militarismo na Primeira Guerra Mundial, e por isso, a redação foi fechada e seu diretor, Julio de Mesquita, preso. Três anos mais tarde, com a morte de Julio de Mesquita, assumiu a direção do OESP seu filho, Julio de Mesquita Filho. Hoje
o “Estadão”, como é carinhosamente chamado
pela população, já passou por uma renovação gráfica e editorial, no qual
tornou-se mais ágil, agradável e de fácil leitura. O jornal apresenta
serviços, lazer, cultura, publicidade, etc. uma pesquisa feita recentemente
nos Estados Unidos, publicada pela Universidade de Columbia, em Nova York,
apontou o Estadão como um dos “20 melhores
jornais do mundo, ao lado de publicações respeitadas internacionalmente
como The New York Times, The Washington Post, Lê Monde e Corriere della
Sera (OESP, 2000). Metodologia
1.
O Método A Metodologia adotada foi a Pesquisa Quantitativa, pode ser definida como uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto. Esta metodologia facilitou a possibilidade de comprovação ou não da hipótese de que uma distancia “X” entre um país e outro, pode ser definido pela freqüência relativa das noticias. 2.
A Técnica Considerando o desafio colocado pela hipótese a ser comprovado ou não optamos pela a Análise de Conteúdo que se caracteriza pelo conjunto de técnicas utilizadas para analise das comunicações de um emissor para um receptor. Esta técnica possibilita ao pesquisador maior possibilidade de ultrapassagem das incertezas presentes no fenômeno estudado. 3.
O Material Jornal O Estado de S. Paulo Períodos: março a maio de 2002 A partir da elaboração de 178 protocolos realizamos uma analise empírica de todo material jornalístico tais como capa, ilustrações e chamadas, assim como os gêneros artigos, reportagens, notícias, entrevistas e comentários 4. A Pesquisa As edições do Estado de S.Paulo analisadas nesta pesquisa revelam que há espaço reduzido para as informações de caráter internacional, principalmente para os assuntos relacionados à América Latina. O maior espaço está dedicado para as ações dos Estados Unidos, sejam políticas, econômicas ou culturais. Porém,
neste período em foco há um viés na informação, visto que há um ano a
imprensa nacional está ampliando a discussão sobre o tentado sofrido pelos
EUA em 11 de setembro de 2001, fato de maior repercussão já visto na história
da imprensa e do Jornalismo. Assim,
é polêmico afirmar que há um espaço privilegiado para os Estados Unidos
nas páginas do Estado S.Paulo. A única certeza
que podemos ter nesta amostragem é que os meses em destaque – março, abril
e maio – contém uma série de notícias e reportagens demonstrando a hegemonia
política norte-americana em relação aos conflitos internacionais. Em contrapartida,
há mais espaços para a região do Afeganistão, Israel, Iraque e Paquistão
em virtude dos acontecimentos terroristas que envolvem estes países com
a política de ataque militar desenvolvida pelos norte-americanos. Note-se ainda que no período pesquisado a Venezuela sofreu um refez político, com a queda de Hugo Chávez, que dias após a sua queda retorna ao poder, e a Argentina que enfrenta desde o início do ano um colapso econômico, interferindo na estabilidade política que havia naquele país até dezembro de 2001. Análise
de conteúdo – Com os protocolos em mãos, fazendo uma análise empírica
de todo o material jornalístico, podemos constatar que a primeira página
do Estado de S.Paulo reserva um espaço tímido
para as informações internacionais: apenas 10,89%. 77,10% deste total
refere-se a textos informativos e 31,80% para Ilustração, divididos entre
os acontecimentos na Espanha (2%), em Israel (8,12%), Rússia (1,5%), Estados
Unidos (27,56%), Argentina (13%), Itália (47,31%), Colômbia (3,75%), Afeganistão
(2%), Paquistão (2%), França (0,94%) e Iraque (0,75%).
As chamadas de primeira página do Estado de S.Paulo para os Estados Unidos estão divididas em 10,62% sobre Religião, todas em tom Emocional; 13,75% falam sobre os ataques terroristas, sempre com aspecto Negativo e 3,69% referem-se a Política. A
Itália consegue mais espaço neste período – 47,31% - porque é o momento
em que o Papa João Paulo II faz mais uma de suas viagem de peregrinação,
sendo que o maior espaço na primeira página é dado para Ilustração (fotos
do Papa). Em
todas as edições analisadas, pode-se encontrar um total 8,97% do espaço
dedicado para artigos, publicados no Caderno Mundo. Destes, os assuntos
que merecem destaque na imprensa referem-se ao problema de comércio de
drogas em Colômbia (34,37%), aos
Na linha dos gêneros opinativos é possível encontrar apenas Comentários sobre a política internacional dos Estados Unidos – num total de 4,56% do espaço dedicado para este tipo de Jornalismo, sendo que deste total 12% dos Comentários foram escritos por profissionais da redação e 33,62% obtidos de Estrangeiros. Eles falam sobre Política (12%), Eleições (18,75%) e Terrorismo (14,87%). Pesquisando o espaço para o gênero informativo, percebe-se uma nítida divisão entre Reportagem, Notícia e Notas, com mais destaque para as Notícias, gênero que predomina nas páginas do Estado de S.Paulo na categoria Notícias Internacionais.
As Reportagens encontradas nas páginas representam 6,60% do espaço ocupado para este gênero jornalístico, sempre no caderno Mundo, sendo que deste total 40,4% foi dedicado para Texto e o restante para Ilustração. A
maior parte das Reportagens foi para os Estados Unidos com 17,49%. Os
temas abrangentes foram Cultura (1,85%), Política (13,78%) e Ciência e
Saúde (1,81%). Os
demais países que ganham espaços jornalísticos para Reportagens são Argentina
(11,10%), divididos nos temas de Política (3,7% do total) e Economia (com
7,4%), o que se justifica pela crise vivenciada pelos argentinos no início
do ano, e a Itália justamente pela presença de João Paulo II nas
páginas do jornal, com 15% das Reportagens realizadas pelo Estadão. Deste
total, 12,40% referem-se ao tema Religião. O
formato Nota, do gênero Informativo, também está presente nas páginas
dedicadas para os assuntos internacionais, com 9,7%. São informações rápidas
sobre diversos assuntos que vão desde Economia, Política e Geral, a maior
parte delas – 97,95% - publicadas no caderno Mundo e as demais – 1, 75%
- no caderno de Economia. Dos
demais abordadas nas Notas, 42,21% referem-se aos Estados Unidos, seguido
em 15,25% para a Colômbia e 3,75% para Venezuela. Entre os demais divulgados
sobre os Estados Unidos o maior destaque é para a Política (7,75% do total)
e depois sobre a Violência (3,53%) e em terceiro lugar sobre Terrorismo
(3,25%). Para
o formato Entrevista percebe-se pouco espaço dedicado para este item,
num total de 3,87%, com publicações no caderno Mundo. Todas estão relacionadas
aos Estados Unidos, com enfoque para o Terrorismo, aspecto Negativo e
tom Emocional. Os
números desta pesquisa mostram que o maior conteúdo internacional tem
divulgação prioritário no formato de Notícias – 12,77% de todo material
jornalístico impresso nos cadernos Mundo e Economia. Neste formato estão
a maioria dos países da Europa, da Ásia Central e os Estados Unidos, fruto
da violência e dos ataques terroristas registrados ano passado que afetaram
a Economia e a Política destes países. A
América Latina, quando aparece nas páginas do Estado
de S.Paulo, tem como abordagem a Política e a Economia, a maioria
com aspecto Negativo, reflexo das crises vivenciadas por Argentina, Colômbia
e Venezuela. Quando as Notícias são sobre os Estados Unidos, 10,23% estão publicadas no caderno Economia e 14,10% no caderno Mundo. Deste total, 81, são acontecimentos relacionados ao Terrorismo, com aspecto Negativo e apelo Emocional, próprio da condição política que aquela Nação vive nos dias de hoje. O tema Ciência e Tecnologia ganha 3% do espaço jornalístico, seguido de 4% para a Política norte-americana e 12% para Economia.
Os países envolvidos no Terrorismo estão presentes nas páginas do Estado de S.Paulo. São eles: Índia (3,5%), Espanha (14,1%), Israel (16,85%), Paquistão (1,37%), Iraque (4,31%), Afeganistão (6%), seguido dos países França, Argentina, Japão, Rússia, Cuba, Irlanda, Alemanha e outros. A análise dos números é clara e não deixa dúvidas: a hegemonia política e economia dos Estados Unidos está acima de quaisquer outros assuntos relacionados ao Mundo que vivemos hoje e os assuntos relacionados à América Latina passam longe das páginas do Estadão, preocupado mais em recuperar, de maneira jornalística, os fatos envolvendo os norte-americanos do que seus vizinhos de fronteiras latinas. Pesquisa
no jornal O Estado de S. Paulo –
178 protocolos
A análise dos números é clara e não deixa dúvidas: a hegemonia política e economia dos Estados Unidos está acima de quaisquer outros assuntos relacionados ao Mundo que vivemos hoje e os assuntos relacionados à América Latina passam longe das páginas do Estadão, preocupado mais em recuperar, de maneira jornalística, os fatos envolvendo os norte-americanos do que seus vizinhos de fronteiras latinas. Capa
– 10,93% para as matérias Internacionais, sendo:
Artigos – 8,97% – caderno Mundo – assinadas por estrangeiros com enfoque
para a Política
Entrevistas
– 3,87% - caderno Mundo – obtida por Agência e sem assinatura Comentário
– 4,56% –
caderno Mundo – obtida por Agência Reportagem
– 6,% – caderno Mundo, divido em Nota
- total de 9,76%, sendo
No caderno de Economia há 1,75% Outros
Países – 4,62% – com a temática Eleições Notícia
- são 12,80%, sendo: Política,
aspecto Negativo e apelo Cognitivo
- 2,82% são dedicados para China, no Caderno Mundo, com
temática sobre Cataclismas Bibliografia Bardin,
Laurence – Análise de Conteúdo – Lisboa. Edições 70 1977 [1] Professores de Comunicação Social e doutorandos da Universidade Metodista de São Paulo. A pesquisa divulgada é resultado do trabalho orientado pelo Prof. Dr. Isaac Epstein, no curso Colóquios avançados em Comunicação I realizado na UMESP. |
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