|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
TV
regional e as Professor
do Curso de Jornalismo do ISCA, Puc-Campinas e Faculdade Prudente de Moraes.
Introdução
O objetivo desta comunicação é realizar um levantamento sobre as emissoras regionais situadas na cidade de Campinas, São Paulo. O presente estudo evidencia limitações geográficas, próprias de uma região, mas já é um avanço daquele apresentado por Bazi (2001) quando pesquisou sobre a principal emissora do interior do estado: a Rede EPTV. A partir deste estudo pretende-se prover um quadro mais detalhado das emissoras regionais, tentando assim, a médio prazo, diagnosticar nacionalmente tais televisões. Porém, se faz necessário expor, antes da divulgação dos dados, os conceitos norteadores deste ensaio. Assim, a Constituição Federal, promulgada em 1988, já previa, em seu artigo n.º 222, inciso III, a regionalização da produção cultural, artística e jornalística das emissoras de televisão, mas ainda faltam as leis ordinárias para regulamentar a sua implantação. Conquanto, antes da promulgação da Constituição algumas emissoras regionais já se posicionavam a favor da produção regional. Segundo Priolli (1987), a Rede Brasil Sul- RBS- da família Sirostsky, foi a pioneira no Brasil na criação de uma rede regional de televisão, em 1978. Sua atuação no sul do país atinge as cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina com dezesseis programas regionais produzidos semanalmente. Outro destaque na produção regional é a Rede EPTV (Emissoras Pioneiras de Televisão), com sede em Campinas, São Paulo, inaugurada em 1979. Afiliada à Rede Globo de Televisão, a EPTV possui, além da emissora de Campinas, mais três: em Ribeirão Preto e São Carlos- e uma, no sul de Minas Gerais- em Varginha. As quatro emissoras são controladas pelas famílias Coutinho Nogueira e Marinho, e obtiveram, juntas, em 1998, um faturamento de cerca de R$ 84 milhões. As redes gaúcha e paulista, RBS e EPTV respectivamente, são duas, entre muitas emissoras espalhadas pelo Brasil, por exemplo, que se dedicam em retratar os assuntos regionais e locais de uma comunidade, proporcionando aos telespectadores acompanhar também o que ocorre no país e no mundo através da união da programação regional e nacional. Se uma pessoa desejar assistir “às cores locais”, basta sintonizar nos programas gerados pelas emissoras regionais; se optar em saber o que acontece em outro lugar, assiste aos programas gerados pela cabeça de rede. A (re) valorização do Jornalismo regional, através das emissoras de televisão, ganha cada vez mais importância quando pensamos no contraponto do global e o regional. A globalização para Giddens (1991:69) é definida como sendo “a intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa”. Em termos regionais, o megaempresário da comunicação Rupert Murdoch, em sua visita ao Brasil em 1995, afirmou que a notícia local será determinante para a sobrevivência dos veículos de comunicação (Rodrigues, 1995). Por sua vez, o ex. vice-presidente da Rede Bandeirantes, Antônio Athayde, que trabalhou durante toda a década de 80 como superintendente comercial da Rede Globo, declarou a Meio & Mensagem que no ano 2000 “(...) a televisão terá de mesclar muito melhor a programação de rede com a programação local. Na Globo, algumas afiliadas em mercados mais sofisticados sempre quiseram mais espaço (...) A própria Globo fez um investimento imenso na Globo São Paulo, e um dos objetivos é atender melhor à maior cidade do Brasil. Então, creio que essa tendência de mescla (sic) entre programação local e programação nacional vai se acentuar em favor da programação local”. Em um recente livro foi discutido por Bazi (2001) o tema da televisão regional utilizando como parâmetro a Rede EPTV. Com o estudo foi possível diagnosticar, entre outros, a escassa bibliografia sobre o assunto e a dificuldade de encontrar um conceito para TV regional. Cruz (1996:160), por exemplo, explica que não existe dentro da legislação brasileira sobre radiodifusão nenhuma definição do que seja televisão regional. Segundo a autora, “uma das dificuldades é que seria preciso definir em termos de alcance das ondas de TV, o que é uma “região”, tarefa um tanto complicada visto que a possibilidade de se expandir o sinal por microondas ou satélites vincula o conceito às limitações tecnológicas e econômicas”. Na tentativa de referendar essa discussão foi consultado também as visões de mais dois autores, no que diz respeito aos termos “região” e “regional”. Portanto, Correa (1991) considera que o termo região não é tradicional apenas na geografia, mas está inserido no linguajar do homem comum e, nos dois casos, está ligado à noção fundamental de diferenciação de área. Bourdieu (1989) nos sugere pensar o regional como um campo, uma vez que além de representações mentais (língua, sotaque, dialeto, caráter, etc.) existem as representações objetais em coisas (emblemas, bandeiras, hinos, indumentárias, etc.) e em atos-estratégias de manipulação simbólica com o objetivo de determinar representações mentais que funcionam na prática e são orientadas para a produção de efeitos sociais. Assim, depois de apoiar-se nos conceitos apresentados, Bazi (2001:16) apontou que “televisão regional é aquela que retransmite seu sinal a uma determinada região e que tenha sua programação voltada para ela mesma”. Mas, nem sempre o telespectador que reside em uma determinada cidade do interior tem a garantia de se ver na tela. A constatação é de Bastos da Silva (1997: 61) que, após um levantamento de dados sobre duas emissoras da Baixada Santista, disse que: “as tevês regionais por uma série de questões procuram dar cobertura maior para a cidade mais importante da sua região. Este fato tem gerado muitas críticas e discussões sobre o papel que as emissoras deveriam prestar para a região. As empresas se defendem afirmando que não possuem equipes suficientes para realizar uma cobertura cabal ou às vezes não se justifica enviar uma equipe para um município muito distante sem haver razão maior. (...) a Baixada Santista não é exceção a esta regra”.
As
Emissoras Regionais de Campinas
De acordo com o último Censo do IBGE (2000), a cidade de Campinas é considerada um dos maiores centros urbanos do país. O município é responsável por 9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e 17% da produção industrial de São Paulo. A região de Campinas está incluída no segundo maior mercado consumidor brasileiro e é a quinta maior praça bancária do país, em valor de compensação de cheques. A cidade possui hoje cerca de um milhão de habitantes. Os números despertam a atenção dos empresários, em especial os da comunicação, que atraídos pela possibilidade do lucro certo investem nas emissoras regionais. São quatro as emissoras que atuam regionalmente na cidade: a) TV BRASIL, afiliada do SBT; b) EPTV CAMPINAS, afiliada da Rede Globo; c) TV BAND, afiliada Rede Bandeirantes; d) REDE FAMÍLIA, de propriedade da Rede Record. TV
Brasil A
TV Brasil iniciou suas atividades com o nome de TV Princesa em fevereiro
de 1985, transmitindo o sinal Rede Record (ainda com a família Machado
de Carvalho), exceto aos domingos quando retransmitia o programa Silvio
Santos. Seu sinal atinge 42 cidades e quatro milhões de pessoas. De
TV Princesa a emissora passou a se chamar TV Metrópole em função de um
acordo de retransmissão do sinal da ex. Rede Manchete de Televisão. Em
1990, o sinal foi transferido para o SBT adotando o nome de TV Diário
do Povo. Quatro anos depois mais uma mudança na nomenclatura: TV
Brasil, mantendo a grade de programação do SBT só que em uma nova
fase, com a inauguração de um transmissor Harrys de última geração, com
15.000 Watts, um dos mais potentes do interior do país. Quadro
01- Programação TV Brasil
(SBT)
Fonte:
Emissora, 02.04.02. * O telejornalístico saiu do ar no mês de abril de
2003 O programa “Notícias em Debate”, que foi retirado do ar no mês de abril de 2003, era o principal produto jornalístico da TV Brasil. Tinha, em média, 30 minutos de produção - entre matérias e entrevista de estúdio, com a apresentação de matérias seguidas de comentários e uma entrevista diária com personalidades locais e regionais. Durante a programação, a emissora exibia também o “TVB Informativo”, boletim com aproximadamente sessenta segundos com as principais notícias do dia.
EPTV
Campinas Afiliada
da Rede Globo de Televisão a EPTV Campinas foi inaugurada em 01
de outubro de 1979, pelo empresário José Bonifácio Coutinho Nogueira,
falecido no mês de janeiro de 2002. O sinal da emissora atingia 20 cidades
na época. Hoje, 51 municípios da região de Campinas recebem as imagens
da emissora, totalizando 3,4 milhões de pessoas. A emissora é destaque na cidade e na região pela sua qualidade técnica e de programação, como também entre as afiliadas da Rede Globo. Por 22 vezes, a emissora já ocupou espaços na programação da Globo, utilizando-se do horário do programa “Globo Repórter”, transmitido em rede nacional, às sextas-feiras, para apresentar suas produções regionais. Até o momento, ela é a única das 113 emissoras da Globo que ocupou tal espaço. A primeira exibição nacional-regional da EPTV foi em 1992 com o documentário “O Canto da Piracema”, que mostrou a subida dos peixes pelos rios do interior paulista e de Minas Gerais. O último programa exibido foi o “Ouro de Kaffa” que contou os caminhos do café. Segundo o gerente de Jornalismo da emissora, Duílio Fabbri Jr.[2], existe um compromisso, porém não formalizado, de enviar quatro programas ao ano para o “Globo Repórter”. Além destas produções especiais, a EPTV Campinas produz o programa “Terra da Gente”, um produto exportação, exibido para interior de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Sul de Minas Gerais. Também é distribuído por assinatura, Via Globo Internacional, para países da América do Sul e Central, África, Estados Unidos e Japão. Quadro
02- Programação EPTV Campinas
(Globo)
Fonte:
Emissora, 02.04.02.
TV
Bandeirantes Campinas A
Rede Bandeirantes é a emissora que mais exibe programas com enfoque regional
de Campinas. Porém, dos dezesseis programas semanais, apenas quatro são
produzidos pela equipe de Jornalismo da emissora, ou seja, doze são produções
independentes. Sua história teve início nos anos 30 quando um grupo de
empresários fundou a Rádio Educadora AM, a primeira rádio do município
e a nona do país. Na década de 70, o grupo conseguiu a homologação para
a concessão da Rádio Educadora FM e em 1993 para a TV. A emissora está
equipada com o sistema digital de áudio e vídeo e deve até 2003
transferir-se para um novo prédio, localizado no Jardim São Gabriel, ao
lado da antena retransmissora de sinais. A Band Campinas abrange 45 cidades e quase cinco milhões de habitantes, com estúdios nas cidades de Jundiaí, Bragança Paulista, Piracicaba, Araras e Mogi Guaçú.
Quadro
03- Programação TV Bandeirantes
Campinas
Fonte:
Emissora, 02.04.02. Rede
Família Propriedade da Igreja Universal do Reino de Deus, a Rede Família de Televisão possui sede em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Em Campinas, o sinal da emissora chegou em 1998, após a venda da TV THATHI, retransmissora da ex. Rede Manchete, ao grupo de Edir Macedo. A
emissora transmite em Campinas apenas duas horas de programação jornalística
com o “Jornal das Onze” e o “Bola na Rede”, dedicando-se então a produção
de programas de cunho evangélico. Quadro
04- Programação Rede
Família
Fonte:
Emissora, 02.04.02.
Audiência
das Emissoras O quadro 05 mostra que a EPTV Campinas registra a maior média de audiência na cidade e supera a soma das outras três concorrentes, com uma margem de 8 pontos a favor. Apesar dos números serem revelados pela própria emissora, já que a TV Brasil, Rede Família e TV Band não dispõem de tais informações, é possível indicar a razão da liderança: 1º- é afiliada à Rede Globo, rede com maior audiência no pais; 2º- dispõe de melhor recurso operacional; 3º- possui um núcleo jornalístico atuante e; 4º- realiza campanhas envolvendo a comunidade local e regional. Quadro 05- Audiência das Emissoras Campinas
Fonte:
IBOPE/EPTV- 02 a 08.08.99. Média das 7hs às 23h59 Considerações
finais
O levantamento inicial das emissoras regionais que atuam na cidade de Campinas, realizado a partir deste ensaio, mostrou-se útil para o trabalho que pretendemos desenvolver em âmbito nacional: traçar o modo de atuação, o perfil da programação, a linguagem utilizada das tevês regionais do Brasil. Como estamos no começo da pesquisa não dispomos de dados mais concretos, mas já podemos considerar que: a- as TV regionais abrem espaço para a informação local, colocando o telespectador a par do que acorre de mais importante de sua região; b- quando uma emissora produz notícia local ela cria empatia com a comunidade, gerando assim audiência para a televisão e conseqüentemente lucro através do anúncio. Segundo a Revista Tela Viva (2002:16), as emissoras regionais da Globo contribuem com 21% a 23% do faturamento anual da rede carioca. Na Bandeirantes a previsão é que estas emissoras aumentem em 5% o faturamento da Rede. Cabe ainda acrescentar que os limites dos resultados deste estudo são proporcionais aos dados coletados numa região e podem despertar a atenção de outros pesquisadores para o tema da televisão regional no Brasil. É o que esperamos. Bibliografia BASTOS
DA SILVA, Robson. “Análise Comparativa Entre Duas Emissoras de Televisão
Regionais Situadas na Baixada Santista”. In: MATTOS, Sérgio (org.). A
Televisão e as políticas regionais de comunicação. Salvador- São Paulo:
Intercom, 1997. p. 57-68. __________________________________________________ [1]
O trabalho
é um resumo do artigo publicado na Revista de Estudos de Jornalismo da
Puc-Campinas, 2003, n. 5 (no prelo) |
Nucom
Núcleo de Comunicação
Melhor visualizado em 1024x768 pixles
Webmaster 2005© - Limeira-SP - Brasil
nucom@alie.br