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Jornalismo
e História: caminhos que se cruzam Ainda
no primeiro semestre do curso de Comunicação Social -
Jornalismo, quando estudávamos Teoria do Jornalismo, tive a oportunidade
de conhecer alguns trabalhos de pesquisadores, jornalistas e professores,
entre eles, Marialva Barbosa(1) . Ao estudar seu texto, Jornalismo
e História: Um Olhar e Duas Temporalidades, pude perceber outro
lado do Jornalismo, o qual nunca tinha parado para analisar, ou seja,
observar a notícia como fator histórico. O
tema despertou a atenção para aprofundar ainda mais no
assunto, analisando o processo de seleção da notícia
impressa. No início, a idéia central era analisar o processo
de seleção de notícia dois jornais de Limeira,
sendo eles: Gazeta de Limeira e Jornal de Limeira, mas
obtive apenas resposta do Jornal de Limeira. Para
entender melhor a ligação do Jornalismo com a História,
o trabalho foi dividido em duas partes: Jornalismo e Historia: Caminhos
que se cruzam e a Importância dos processos de seleção
da notícia. No primeiro é analisa a relação
entre os dois ofícios: Jornalismo e História, o papel
de serem portadores de registros da memória, já no segundo
é feito uma análise do processo de seleção
da notícia, qual a importância de selecionar o que vai
ficar para a história e quais são os critérios
de seleção utilizado pelo Jornal de Limeira.
1.
Caminhos que se cruzam A
atividade de seleção de notícia carrega um privilégio
tanto para o historiador quanto para o jornalista. Os meios de comunicação
ao selecionar o que passa no mundo, ao escolher o que vai ser ou não
notícia, o que vai virar destaque ou não, estão
projetando o próprio acontecimento, sendo assim, os próprios
criadores do acontecimento histórico. O
ofício do jornalista é tentar registrar o instante, o
novo, o imediato, já o historiador é de recuperar o instante,
com a sua reinterpretação do passado para entender o hoje: O presente parece ser o lugar do jornalista, assim como o passado parece ser o do historiador. Mas tanto o jornalista, como o historiador vivem o seu presente histórico e impregnados dessa realidade e das visões de um mundo do momento em que vivem construirão suas interpretações (Barbosa, Marialva, 1984, p.88). Ambos
são personagens importantes, que utilizam o poder que possui
para deixar registros na memória. Uma das principais ligações
dos meios de comunicação com a história é
a questão de que mesmo estando posicionados no presente, na atualidade,
muitas vezes se referenciam no passado, ou seja, notícias presentes
que acabam tendo uma ligação com notícias passadas
já registradas pelos meios de comunicação. Segundo
Ana Paula Goulart Ribeiro(2) , o significado da palavra história
é a ciência que estuda os fatos do passado e os fatos históricos.
Podemos então concluir que a história explica o presente
pelo passado, determinando condições de possibilidade
para o futuro, lembrando que esses estudos passados são muitas
vezes baseados em relatos jornalísticos. Ana
Paula ainda afirma que não existe fato histórico "bruto".
Ele sempre será produto de algum tipo de elaboração
teórica, que permite o historiador atribuir sentidos aos fatos,
através da seleção e valorização
dos acontecimentos, assim tanto o historiador quanto o jornalista, constroem
sua própria narrativa, inserida de subjetividade. O
Jornalismo e a História possuem caminhos que se cruzam, pois
ambos carregam um certo poder de transmissão de informação,
através de um jornal, livro, ou um texto. Essa condição,
que aproxima o jornalista e o historiador, afeta o comportamento, a
opinião e o pensamento da humanidade, no instante em que existe
o registro dos fatos, ou a recuperação deles.
A
idéia central é que a ação do jornalista
é sobretudo de natureza memoralística, já que a
memória é uma operação do presente e conformadora
da própria identidade. Mas ao construir uma dada memória
da sociedade, na verdade, estariam configurando uma identidade com a
própria profissão (Barbosa, Marialva, 1984, pág.87)
Afinal
ao ser portadora de um discurso válido que pode ser transformado
em documento para o futuro, a mídia se configura como um dos
senhores da memória da sociedade (Barbosa, Marialva, 1984, pág.
88) Apesar
dos meios de comunicação utilizarem parâmetros específicos
para selecionar os fatos que se tornarão em notícia, eles
têm como função, transformar o que não é
familiar em familiar, utilizando uma linguagem eficaz, compreensível.
Será que eles se importam com isso? Robert
Darnton (1995) chega a citar em seu emprego no The New York Times, que
os jornalistas ao escrever, tinham que se basear em uma criança
de doze anos, para que as matérias ficassem mais claras e legíveis.
Com os acelerados ritmos de transformação tecnológica
e o elevado fluxo de notícias, os meios de comunicação,
a cada dia que passa, estão reduzindo o espaço para a
notícia, relatando os fatos com superficialidade, causando assim,
o enfraquecimento da consciência histórica. Por outro lado, os historiadores procuram recuperar o passado, que serve para nos encontrarmos no presente. Necessitamos dos fatores históricos para buscarmos fontes, analisar, comparar, imaginar, questionar. Segundo Dominique La Capra, é preciso considerar, que o passado têm suas próprias vozes e que o historiador faz apenas uma releitura desse passado, através de reinterpretações onde está contido o elemento ficcional do presente. O historiador se reveste de métodos e teorias e desde então, passaram a ser tudo o que está relacionado com os meios de comunicação
A
idéia de história resultante do primeiro nível
é aquela do âmbito do senso comum. Diz respeito a consciência
que os indivíduos tem do processo social no qual estão
inseridos. É a chamada história viva, registrada cotidianamente
nos jornais. A mensagem jornalística, tida como o registro histórico
por excelência, acaba por também impor aos historiadores
um modo de recordação do passado. (Ribeiro, Goulart Ana
Paula, 1997, pág.05). Uma
das afinidades dos historiadores com o jornalismo são as formas
da qual o passado chega até os leitores. Essas formas são
transmitidas pelos historiadores e jornalistas. Ambos bebem da mesma
fonte, a jornalista precisa do historiador, do fato histórico
para contextualizar e relatar uma notícia; o historiador precisa
se "ancorar" no Jornalismo para recueperar os cotidianos.
"Eu
sabia que aquelas matérias não iriam virar mero embrulho
de peixe, mas sim um registro de spoca, que serviria de base para a
Historia no futuro". Esse relato de Chico Nelson, jornalista que
cobriu o episódio do seqüestro do embaixador norte-americano
em 1969, descreve em uma simples frase a ligação entre
Jornalismo e História. 2.
O processo de seleção
Os
meios de comunicação possuem um papel muito importante
em apresentar os acontecimentos para o leitor, mantendo informados dos
fatos que ocorrem na sociedade. Jornalismo na definição
de Juarez Bahia (1990, pág. 09) significa apurar, reunir, selecionar
e difundir idéias, acontecimentos e informações
gerais com veracidade, exatidão, clareza rapidez conjugando o
pensamento coma a ação. Mas qual a relação
de todos esses parâmetros com a história? Ao
difundir um fato para a sociedade, o jornalista faz uma reinterpretação
do acontecimento, depositando um pouco da sua singularidade pessoal
e sua subjetividade ao transformar em narrativa, ou seja, a análise
é feita pela sua visão. Ao escrever estamos depositando
no texto um pedacinho de nós. Tanto
o veículo de comunicação como o jornalista, devem
perceber a importância do processo de seleção da
notícia. Essa importância está compreendia em relatar
o fato como ele é, interpretar, hierarquizar o fato através
de processos jornalísticos. O
meio de informação deve ter sua independência profissional,
sem deixar que acordos comerciais e outros fatores interfiram na notícia
a ser publicada Todavia,
os fatos não são expostos sem um prévio exame por
parte do agente do jornalismo, a quem compete julgar da sua importância,
analisá-los ou sintetizá-los, deles colher e divulgar
ensinamentos enriquecê-los ou censurá-los, de modo que
cheguem ao leitor devidamente interpretados. E aí está
outro atributo do jornalismo: interpretação (Luiz, Beltrão,
1988, pág.45 ) . Além de informar, orientar, interpretar o jornalismo acima de tudo, procura vender notícia, vender anúncios, vender eventos, e muitas vezes submetem a relatar o acontecimento como seu cliente deseja e não para atender as necessidades do leitor. O processo de seleção da notícia deve ser feito para atender a todas as classes da sociedade, por isso, os fatos devem ser selecionados se uma maneira "global".
3.
Jornal de Limeira
O
intuito da pesquisa feita no Jornal de Limeira é para
descobrir, quais são os critérios utilizados para que
uma notícia seja publicada, ou seja, quais são os processos
de seleção da notícia até chegar ao leitor. O processo de seleção do Jornal de Limeira, segundo o redator-chefe, Rodrigo Piscitelli, são os critérios clássicos do Jornalismo, como interesse, atualidade, abrangência e novidade. Piscitelli pontua como define o que vai publicar: -
Os assuntos do dia obrigatoriamente devem estar na edição
do dia seguinte. Antes
de publicar uma informação política, é feito
uma análise de quem são os interessados na publicação
e se existe um embasamento para o fato, como, documentos e versões
de mais de uma pessoa. Já, as notícias policiais são
avaliadas os interesses públicos e até mesmo o período
em que vive, como por exemplo, o período eleitoral, que muitas
vezes acabam dando outra forma a notícia ou até mesmo
ocupando o seu espaço. As
informações do Jornal de Limeira chegam através
de denuncias, e-mails, o disque-jornal, boletins de ocorrência
e através APJ - Associação Paulista de Jornais,
que enviam notícias da região. Essas informações
possibilitam o início do processo de seleção. Para
Marialva Barbosa (1994), a mídia reconstrói o presente
de maneira seletiva, construindo hoje a história desse presente
e fixando para o futuro o que deve ser lembrado e o que precisa ser
esquecido, nesta simples linhas, podemos observar a importância
e a relação da notícia com a história. Outro
fator importante que não podemos desconsiderar é analisar
qual é o público do Jornal de Limeira e o grau de interpretação
da matéria. Piscitelli
afirma, que o Jornal de Limeira, realizou uma pesquisa com os
leitores no começo de 2004 para identificar em qual classe se
encontra o leitor. Segundo a pesquisa, a maioria dos leitores se concentra
nas classes "B" e "D", lembrando que essa faixa
representa a maior parte da população de Limeira. O jornal
também possui leitores das faixas "A" e "E",
sendo a classe "A", considerados os formadores de opiniões. Em
relação ao nível de compressão da matéria,
o jornal não possui nenhuma pesquisa, mas ressalta que as reportagens
se encontram no "light readers", ou seja, nos leitores
médios, que apresentam a maior parcela da população. O
nível de compreensão das matérias publicadas no
Jornal de Limeira varia de acordo com o assunto abordado. Notícias
relacionadas com a justiça, política, economia, exige
um grau maior de compreensão, por isso, o jornalista precisa
ser o mais didático possível, pois se o leitor não
entender o primeiro parágrafo, provavelmente não terminará
a leitura, afirma Piscitelli. O
redator ainda cita um caso recente, aonde o jornal precisou usar o termo
"empalação" em uma reportagem policial, o qual
não poderia ser substituído por nenhum sinônimo,
para não se tornasse agressivo ao leitor. Apesar de saber que
o termo seria de difícil compreensão, o jornal não
encontrou alternativa. Os
fatos que não são apurados devidamente por causa do tempo,
não são publicados, geralmente ficam "engavetados",
até que a apuração completa se conclua Conclusão Com esse trabalho pude compreender o ofício que o jornalista carrega, em ser um selecionador da notícia. Ao selecionar o que vai ser divulgado para o leitor, o jornalista participa do processo histórico, é ele quem possui a notícia em mãos, sendo ele o selecionador do que vai se tornar história. Tanto o historiador, quanto o jornalista, são "criadores de acontecimento histórico", por isso é necessário que o processo de seleção seja realizado de maneira correta, dentro dos critérios do jornalismo.O jornalista deve ser didático, para que o leitor possa compreender o que ele quer transmitir. Referências Bibliográficas BAHIA,
Juarez - In: Jornal, História e Técnica. São
Paulo:Ed. Ática, 1990, 4ª edição, p.09.
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