| O eclipse total da Lua na noite de 4 maio de 2004 |
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No começo da noite de 4 de maio, observadores de várias partes do mundo terão a oportunidade de observar um eclipse total da Lua. O eclipse será visível no Brasil, extremo leste da América do Sul, Antártica, Austrália, Nova Guiné, Indonésia, Filipinas, Ásia (exceto nordeste), África, Europa (exceto extremo norte). Denomina-se eclipse ao obscurecimento parcial ou total de um corpo celeste em virtude da interposição de um outro. A palavra eclipse vem do grego ekleipsis, que significa abandono, desmaio, desaparecimento. É uma das raras chances de observar-se um espetáculo tão belo da natureza. Embora os eclipses solares ocorram em maior número, vemos com mais freqüência os lunares, pelo fato de os últimos serem observados em áreas consideravelmente superiores à metade da Terra. Os eclipses lunares ocorrem quando a Lua penetra no cone de sombra da Terra, o que só pode acontecer na fase de Lua cheia pelo seguinte: A Terra gira ao redor do Sol num plano. Por exemplo, supondo que o Sol esteja no centro da face superior de uma mesa, a Terra se move em torno do Sol no nível desta superfície. Ao mesmo tempo a Lua gira em torno da Terra, mas o plano de órbita lunar é inclinado um pouco mais de 5º em relação à face da mesa. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo da sombra. Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra, ou seja, passa por um nodo, e além disso o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar.
A sombra da Terra projetada no espaço se estende em forma cônica por cerca de 1,38 milhão de quilômetros. À distância de aproximadamente 360 mil quilômetros, onde está a Lua, o diâmetro da sombra tem cerca de 9 mil quilômetros. Além de uma parte escura, chamada umbra ou apenas sombra, a sombra da Terra tem uma parte cinzenta denominada penumbra. Mas é a sombra que dá o efeito de beleza ao fenômeno, pois a penumbra na maioria das vezes é imperceptível.
No Brasil, para observadores em Limeira, na tarde de 4 de maio, quando a Lua estiver ainda abaixo do horizonte, e portanto ainda não terá nascido no horizonte leste, às 15h48min, a Lua cheia começará a "mergulhar" na sombra da Terra. Às 16h52min a Lua estará toda coberta pela sombra de nosso planeta. A Lua irá nascer eclipsada às 17h39min e o pôr do Sol ocorrerá às 17h42min. Às 18h08min quando a Lua começará a sair da sombra estará a cerca de 6 graus de altura sobre o horizonte até que às 19h12min sairá por completo e estará novamente toda iluminada pelo Sol, quando estará a cerca de 20 graus do horizonte.
Os eclipses lunares já
foram mais importantes para a pesquisa astronômica. Eles forneceram a
primeira prova de que a Terra é redonda, foram utilizados no estudo da
alta atmosfera do nosso planeta, no estudo da rotação da Terra, no
tamanho e distância do nosso satélite além de variações em seu
movimento. Além disso, os eclipses podem contribuir com a História na
determinação de datas que se deram em tempos remotos.
Neste ano temos ao todo 4 eclipses sendo 2 eclipses totais da Lua e 2 eclipses parciais do Sol. Destes, apenas os eclipses lunares são visíveis no Brasil. O outro eclipse da Lua ocorrerá na noite de 27 para 28 de outubro. Abaixo, a carta do eclipse de 4 de maio:
As observações do eclipse total da Lua podem ser realizadas com binóculos, lunetas e telescópios de fraco aumento. Para fotografar o eclipse, são indicados filme de sensibilidade média ou rápida (400 ASA) e aconselha-se um tempo de exposição instantâneo (1/25 de segundo) e de alguns segundos durante a fase da totalidade. Para obter na mesma foto a seqüência do eclipse, deve-se fazer um ensaio na véspera para procurar o melhor local. É importante conhecer a trajetória aparente da Lua e utilizar mais de uma abertura e velocidade de disparo para garantir fotos de boa qualidade. Com a câmara fixa, apoiada em tripé, deve-se disparar manualmente (velocidade B) em intervalos de três, cinco minutos ou mais, sem avançar o filme. Usando-se teleobjetivas, como o campo é limitado, é possível obter imagens maiores da Lua e, portanto, nem sempre é possível fotografar, no mesmo quadro, toda a seqüência. Levando-se em conta os efeitos de ilusão de que a Lua parece maior quando está próxima ao horizonte e se o céu não estiver nublado, será um belo espetáculo de ser visto mesmo sem instrumentos, a olho nu. O Observatório do Morro Azul estará aberto, com entrada franca, no dia 4 a partir das 17 horas. Será realizada uma palestra para explicação do eclipse e observações com o uso dos telescópios. O Observatório está aberto a escolas e grupos em outras datas. As visitas devem ser agendadas pelo telefone 3404-4729. |