| O eclipse total da Lua na noite de 27 para 28 de outubro de 2004 | ||||||||||||
PAULO SERGIO BRETONES Na noite de 27 de outubro, observadores
de várias partes do mundo terão a oportunidade de observar
um eclipse total da Lua. O eclipse será visível no Oeste
da Ásia, na África (exceto o extremo Leste), na Europa,
na Islândia, na Groenlândia, nas Américas e nas regiões
árticas.
A sombra da Terra projetada no espaço se estende em forma cônica por cerca de 1,38 milhão de quilômetros. À distância de aproximadamente 360 mil quilômetros, onde está a Lua, o diâmetro da sombra tem cerca de 9 mil quilômetros. Além de uma parte escura, chamada umbra ou apenas sombra, a sombra da Terra tem uma parte cinzenta denominada penumbra. Mas é a sombra que dá o efeito de beleza ao fenômeno, pois a penumbra na maioria das vezes é imperceptível.
Na noite de 27 para 28 de outubro, às 22h14min do dia 27, a Lua cheia começará a "mergulhar" na sombra da Terra, assim, uma linha divisória surge como um entalhe no bordo lunar e penetrando cada vez mais até que às 23h23min a Lua estará toda coberta pela sombra de nosso planeta. Isso vai até às 00h44min do dia 28 quando começará a sair da sombra até que às 01h53min sairá por completo e estará novamente toda iluminada pelo Sol. Desta forma, o meio do eclipse ocorrerá às 00h04min. Para outras localidades, fora do horário de Brasília, veja a tabela, no final do artigo, com os horários em tempo Universal.
Os
eclipses lunares já foram mais importantes para a pesquisa astronômica.
Eles forneceram a primeira prova de que a Terra é redonda, foram
utilizados no estudo da alta atmosfera do nosso planeta, no estudo da
rotação da Terra, no tamanho e distância do nosso
satélite além de variações em seu movimento.
Além disso, os eclipses podem contribuir com a História
na determinação de datas que se deram em tempos remotos.
Neste ano temos ao todo 4 eclipses sendo 2 eclipses totais da Lua e 2 eclipses parciais do Sol. Destes, apenas os eclipses lunares são visíveis no Brasil. Um deles já ocorreu em maio, o próximo, como mostra a carta do eclipse, também será visível no Brasil.
As observações do eclipse total da Lua podem ser realizadas com binóculos, lunetas e telescópios de fraco aumento. Para fotografar o eclipse, são indicados filme de sensibilidade média ou rápida (400 ASA) e aconselha-se um tempo de exposição instantâneo (1/25 de segundo) e de alguns segundos durante a fase da totalidade. Para obter na mesma foto a seqüência do eclipse, deve-se fazer um ensaio na véspera para procurar o melhor local. É importante conhecer a trajetória aparente da Lua e utilizar mais de uma abertura e velocidade de disparo para garantir fotos de boa qualidade. Com a câmara fixa, apoiada em tripé, deve-se disparar manualmente (velocidade B) em intervalos de três, cinco minutos ou mais, sem avançar o filme. Usando-se teleobjetivas, como o campo é limitado, é possível obter imagens maiores da Lua e, portanto, nem sempre é possível fotografar, no mesmo quadro, toda a seqüência. Um decreto do Presidente Lula estabeleceu a Semana Nacional da Ciência e Tecnologia, a ser comemorada no mês de outubro de cada ano, sob a coordenação do Ministério da Ciência e Tecnologia e com a colaboração das entidades nacionais vinculadas ao setor. Neste ano, a Semana ocorrerá de 18 a 24 de outubro e nesse contexto, está sendo organizado um evento para observar o eclipse da Lua. A idéia é integrar iniciativas em todo o Brasil, numa proposta denominada "Brasil Olha para o Céu". O projeto visa reunir institutos de pesquisa, universidades, museus de ciências, clubes de astronomia e astrônomos amadores, entre outros, para desenvolver uma atividade coordenada em nível nacional. O evento tem a possibilidade de levar a ciência, através da observação do eclipse, a um grande número de regiões do país e às mais diversas comunidades. Além disso, ela abre a possibilidade de realizar experimentos combinando informações de diferentes partes do Brasil. Vale a pena ficar acordado
e reunir a turma para observar o fenômeno que é mais bonito
de ser visto a olho nu. É um lindo espetáculo cujo único
esforço necessário, se o céu não estiver nublado,
é o de levantar a cabeça e deixar-se maravilhar pela sua
beleza. Tabela de horários do eclipse em Tempo Universal
Bibliografia: BOCZKO, Roberto. Conceitos de Astronomia. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 1984. 429p. BRETONES, P.S. Os Segredos do Sistema Solar. São Paulo: Atual Editora, 1993. 44p. MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Anuário de Astronomia 2004. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. 352p. MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Eclipses, da superstição à previsão matemática. São Leopoldo, Ed. Unisinos, 1993. 239p. OBSERVATÓRIO NACIONAL. Anuário do Observatório Nacional. Rio de Janeiro, 2004. http://sunearth.gsfc.nasa.gov/eclipse/OH/image1/Fig04-TLE2004Oct28.GIF
|