15/06/01 - Projeto: Eclipse parcial do Sol de 21 de junho de 2001

Como parte dos projetos da Seção de Ensino e Divulgação de Astronomia da LIADA estamos propondo projetos para estudantes, professores e público em geral a respeito do Eclipse do Sol de 21 de junho. Entendemos, mais uma vez, tratar-se de uma grande oportunidade para fazer chegar às pessoas de modo geral e da melhor maneira que pudermos, a oportunidade de observarem os fenômenos do céu dispondo de explicações a respeito. Caso tenham disponibilidade para escrever artigos, dar entrevistas para jornais, rádios e televisões, realizar palestras, exposições ou sessões de observação, aqui vão algumas sugestões. Mais uma vez seria interessante seguir o roteiro proposto no "Proyecto Astronomía en las escuelas". Elaboramos um artigo que estará disponível na página da Seção de Ensino, que leva em conta os principais itens que, do nosso ponto de vista são essenciais de serem abordados em oportunidades de divulgar o eclipse:

Projeto: Eclipse parcial do Sol de 21 de junho de 2001 

Estimados amigos da LIADA:

Como parte dos projetos da Seção de Ensino e Divulgação de Astronomia da LIADA estamos propondo projetos para estudantes, professores e público em geral a respeito do Eclipse do Sol de 21 de junho.
Entendemos, mais uma vez, tratar-se de uma grande oportunidade para fazer chegar às pessoas de modo geral e da melhor maneira que pudermos, a oportunidade de observarem os fenômenos do céu dispondo de explicações a respeito.
Caso tenham disponibilidade para escrever artigos, dar entrevistas para jornais, rádios e televisões, realizar palestras, exposições ou sessões de observação, aqui vão algumas sugestões.
Mais uma vez seria interessante seguir o roteiro proposto no "Proyecto Astronomía en las escuelas" disponível em: 
http://www.iscafaculdades.com.br/liada/astro_escola.htm

Elaboramos um artigo que estará disponível na página da Seção de Ensino, que leva em conta os principais itens que, do nosso ponto de vista são essenciais de serem abordados em oportunidades de divulgar o eclipse:

O eclipse parcial do Sol na manhã de 21 de junho de 2001 

Introdução;

Carta geral do eclipse mostrando os países com a faixa de visibilidade; 

Explicação do fenômeno com os planos de órbitas da Terra e da Lua, a diferença entre eclipses solares e lunares, número de eclipses por ano, tamanho da faixa de visibilidade; 

Data, horário e horário e circunstâncias locais; 
Número de eclipses neste ano, quais os próximos e o Período de Saros; 

Os eclipses na história; 

Cuidados e técnicas de observação; 
Fotografia; 
Conclusão. 

O artigo que elaboramos é apenas um exemplo e uma tentativa de nossa parte em atingir os objetivos propostos. Muitas outras formas são possíveis e nosso interesse é apenas em divulgar a Astronomia.
Solicitamos aos interessados em projetos de ensino e divulgação de Astronomia que utilizem-se o espaço do Foro da LIADA para relatar seus projetos. Esta comissão da LIADA também pode ocupar esses espaços!
Caso possa nos enviar os resultados destes projetos estamos interessados em estimular ao máximo iniciativas deste tipo. 

Por favor, comuniquem-nos seus resultados. 

Desejo boa sorte a todos,

Paulo Sergio Bretones
bretones@mpc.com.br

ensenianza@liada.net

Seção de Ensino e Divulgação de Astronomia - LIADA
Rua Joaquim de Paula Souza, 1168
Jd. Proença; Campinas - SP - BRASIL
13096-142

O eclipse parcial do Sol na manhã de 21 de junho de 2001

PAULO SERGIO BRETONES

Professor de Astronomia do curso de Geografia e do
 Observatório de Morro Azul do ISCA Faculdades de Limeira

Na manhã de 21 de junho, observadores do Brasil e de várias partes do mundo terão a oportunidade de observar um eclipse total do Sol, para nós visível como parcial.

O eclipse será visível como total em uma faixa que se inicia no oceano Atlântico Sul, a sudoeste do Brasil, atravessa a África do lado ocidental ao oriental, passando sobre Angola, Zâmbia, norte do Zimbábue, Moçambique e Madagascar, para terminar no oceano Índico, a oeste de Madagascar.

Será visível como parcial na parte leste da América do Sul e a maior parte da África, exceto a parte norte.

É uma das raras chances de observar-se esse fenômeno. Pode ocorrer, anualmente, no mínimo 2 eclipses sendo os 2 lunares e no máximo 7 eclipses como por exemplo 5 solares e 2 lunares ou 4 solares e 3 lunares. Embora os eclipses solares ocorram em maior número, vemos com mais freqüência os lunares, pelo fato de os últimos serem observados em áreas consideravelmente superiores à metade da Terra, enquanto que os solares só podem ser vistos em uma área muito limitada com cerca de 260 km de largura e de 4800 a 6400 Km de extensão.

Os eclipses solares ocorrem quando a Lua interpõe-se entre o Sol e a Terra, isto é, quando está em fase de Lua nova.

Os eclipses lunares ocorrem quando a Lua penetra no cone de sombra da Terra, o que só pode acontecer na fase de Lua cheia pelo seguinte:

A Terra gira ao redor do Sol num plano. Por exemplo, supondo que o Sol esteja no centro da face superior de uma mesa, a Terra se move em torno do Sol no nível desta superfície. Ao mesmo tempo a Lua gira em torno da Terra, mas o plano de órbita lunar é inclinado um pouco mais de 5º em relação à face da mesa.

Embora a Lua projete sempre a sua sombra não a percebemos. Em outras palavras, geralmente a Lua passa acima ou abaixo do Sol.

Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra, ou seja, passa por um nodo, e, além disso, o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse solar.

Figura 1: Planos das órbitas da Terra e da Lua

A sombra da Lua projetada no espaço se estende em forma cônica e é interceptada pela Terra resultando numa faixa de até 300 km de largura. O deslocamento dessa faixa sobre a superfície terrestre define a faixa de totalidade do eclipse.

No interior do cone de penumbra da Lua os observadores podem ver o Sol parcialmente oculto pelo disco de nosso satélite, em uma faixa bem mais extensa.

Figura 2: Sombra e penumbra da Lua projetadas na Terra e a faixa de totalidade

Na manhã de 21 de junho, o Sol irá nascer às 06h49min, mas o eclipse já terá começado às 06h35min quando a Lua nova começará a “tocar” o disco do Sol. Assim, o Sol irá nascer com um entalhe no lado leste. A Lua irá cada vez mais ocultando o disco do Sol até que, às 07h32min o Sol terá 70% de seu diâmetro cobertos pelo nosso satélite. Nesse momento, quando 60% da área do Sol for obscurecida pelo disco lunar, estará a cerca de 8 graus de altura sobre o horizonte. Então, a Lua começará a sair da frente do Sol até que às 08h36min sairá por completo.

Figura 2a: Aspecto do Sol, no máximo do eclipse, para Limeira

Como o Sol já irá nascer eclipsado, vala a pena ir a locais altos para observar esse belo fenômeno. Assim, o melhor local de Limeira será o Observatório do Morro Azul, que está a 840 m de altitude, cerca de 300 m acima do centro da cidade.

Os eclipses, em particular os solares, sempre tiveram papel marcante na história e são previstos desde milhares de anos antes da era cristã. Os antigos chineses, por exemplo, achavam que quando ocorria um eclipse um dragão estava engolindo o Sol. A população se reunia e fazia o maior barulho possível para espantá-lo. Sempre dava certo! Também conta uma lenda que os astrônomos Hi e Ho, em cerca de 2100 a.C., a serviço do imperador, beberam tanto que se esqueceram de predizer um eclipse e por isso foram executados.

Figura 3: Dragão engolindo o Sol

Os antigos egípcios e babilônios também previram eclipses. Os antigos filósofos e matemáticos gregos como Tales e Hiparco, aperfeiçoaram os cálculos e observaram vários eclipses.

O eclipse total do Sol observado, em 1919, na cidade de Sobral, no Ceará, ajudou a comprovar a Teoria de Relatividade de Einstein segundo a qual, os raios de luz as estrelas, ao passarem próximos ao Sol, deveriam sofrer um desvio.

Denomina-se eclipse ao obscurecimento parcial ou total de um corpo celeste em virtude da interposição de um outro. A palavra eclipse vem do grego ekleipsis, que significa abandono, desmaio, desaparecimento.

Neste ano temos ao todo 2 eclipses do Sol e 3 eclipses da Lua. De todos esses, somente o eclipse parcial do Sol será visível em Limeira e em parte do Brasil como podemos ver pela carta geral do eclipse:

Figura 4: Carta geral do eclipse

O outro eclipse solar deste ano ocorrerá em 14 de dezembro e será visível como parcial no norte do Brasil.

O próximo eclipse do Sol, também visível como parcial em Limeira, será em 2006, que será visível como total no nordeste do Brasil.

A cada 18 anos 11 dias e 8 horas os eclipses se reproduzem na mesma seqüência, é o chamado período de Saros, já conhecido pelos caldeus. Mas só depois de 3 Saros será possível a um observador contemplar, no mesmo lugar, o mesmo eclipse em circunstâncias praticamente idênticas.

O único inconveniente no dia 21 poderá ser o céu encoberto pelas nuvens ou névoa, muito comum nesta época do ano a essa hora, pois o eclipse irá ocorrer com o Sol muito próximo ao horizonte.

Durante o eclipse é muito perigoso observar o Sol diretamente, pode produzir queimaduras na retina, causando cegueira. É extremamente perigoso olhar para o Sol com qualquer instrumento óptico como binóculos, lunetas, telescópio ou mesmo através de uma máquina fotográfica. Veja o que acontece quando se queima uma folha utilizando-se uma lente para focar a luz do Sol. Não se deve usar óculos escuros, vidros esfumaçados, radiografias ou negativos de filmes revelados pois estão sujeitos a não serem suficientemente densos para bloquear as radiações não visíveis como o infravermelho e o ultravioleta.

Deve-se tomar o cuidado de observar o fenômeno com um filtro apropriado. O filtro usado em máscara de soldador no. 14, disponível em lojas de ferragens, seria o mais indicado.

Melhor ainda, seria projetar a imagem do Sol numa tela, pelo método de projeção.

Se for utilizado um instrumento, como uma pequena luneta ou binóculo, deve-se alinhá-lo com o Sol, sem observar através dele e colocar um anteparo procurando obter a imagem do Sol no foco.

Pode-se cobrir um pequeno espelho com um papel com um orifício e projetar a imagem do Sol numa parede ou tela branca na sombra ou para dentro de uma sala escura.

Figura 5: Método de Projeção

Também pode-se construir uma câmara escura usando-se, por exemplo, um tubo longo. Deve-se fazer um pequeno furo em uma das faces e apontar essa face para o Sol. Na parte interna da face oposta será projetada uma imagem que poderá ser observada através de uma abertura lateral.

Figura 6: Câmara escura

Para fotografar o eclipse, são indicados filme de baixa sensibilidade (100 ASA) e um filtro de densidade neutra diante da objetiva. No caso da falta de filtros próprios de máquinas fotográficas, pode-se usar o filtro de máscaras de soldar indicado acima.

Para obter na mesma foto a seqüência do eclipse, deve-se fazer um ensaio na véspera para procurar o melhor local. Com a máquina fixa, disparando-se manualmente (velocidade B) em intervalos de três, cinco minutos ou mais.

Usando-se teleobjetivas, como o campo é limitado, é possível obter imagens maiores do Sol e, portanto, nem sempre é possível fotografar, no mesmo quadro, toda a seqüência.

Vale a pena acordar cedo e reunir a turma para observarmos esse raro fenômeno. Enquanto que o eclipse reúne no céu o Sol e a Lua, as pessoas se reúnem aqui em baixo para observá-los e ver esse belo espetáculo da natureza.

O Observatório estará aberto para a observação do eclipse para escolas, grupos e interessados que deverão se inscrever antecipadamente no ISCA pelo telefone 440-4700.

 

Bibliografia:

BOCZKO, Roberto.  Conceitos de Astronomia.  São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 1984.  429p.

BRETONES, P.S.  Os Segredos do Sistema Solar.  São Paulo: Atual Editora, 1993.  44p.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas.  Anuário de Astronomia 2001.  Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.  287p.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas.  Eclipses, da superstição à previsão matemática.  São Leopoldo, Ed. Unisinos, 1993.  239p.

LIVI, Silvia Helena Becker.  Eclipse solar total: 3 de novembro de 1994.  Caderno Catarinense de Ensino de Física, vol. 10, n. 3, p. 262-268, 1993.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA.  Veja o eclipse do Sol com segurança!!  Londrina, 1994.

http://eclipse.astroinfo.org/sofi/activemaps.html  http://umbra.nascom.nasa.gov/eclipse/010621

 

O artigo que elaboramos é apenas um exemplo e uma tentativa de nossa parte em atingir os objetivos propostos. Muitas outras formas são possíveis e nosso interesse é apenas em divulgar a Astronomia.

Solicitamos aos interessados em projetos de ensino e divulgação de Astronomia que utilizem-se o espaço do Foro da LIADA para relatar seus projetos. Esta comissão da LIADA também pode ocupar esses espaços ! Caso possa nos enviar os resultados destes projetos estamos interessados em estimular ao máximo iniciativas deste tipo.

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