Entrevista feita a Vicente Adorno (27/04/2004), editor chefe do jornalismo internacional da TV Cultura:
Entrevistador: Patrícia Miranda Guimarães

Vicente Adorno é editor chefe de notícias internacionais da TV Cultura, formado em Jornalismo pela Cásper Libero e em Letras pela USP. Possui vasta experiência em trabalhos fora do Brasil e inclusive chegou a morar e trabalhar no Japão. Após palestra no anfiteatro da Faculdade Isca, Adorno nos concedeu esta entrevista:

Site Oficina: O Senhor acha que a tv cultura perde em prezar qualidade em vez da quantidade de telespectadores com seus programas?

Vicente Adorno: Não, porque eu acho que isso é um trabalho de formação de opinião, formação de cidadania, de desenvolvimento intelectual das pessoas. E é isso que a gente quer, e a gente sabe que isso tem que ser feito aos poucos, não pode.....se a gente tivesse como fazer isso de uma maneira muito mais massificante, evidente que seria melhor. Eu também gostaria, mas a gente sabe que a realidade não é.


Site Oficina: Como os senhores fazem, produzem entretenimento para os telespectadores, procurando educar, informar?

Adorno: É.....aí você usou uma palavra muito boa, entretenimento, a gente tem que ter sempre noção disso, aliás o critico de cinema que eu mais gosto é um inglês que já morreu mas existe um guia que ele publicava, que continua sendo publicado, as vezes ele fala de um filme assim: é bem dirigido, é bem fotografado, é bem interpretado, mas não tem nenhum valor como entretenimento, e pra ele isso é fatal. Então como a gente lida com o meio audiovisual, que ta muito ligado ao entretenimento a gente tem que ter sempre isso presente, a gente tem que educar, tem que despertar a consciência mas, sem ser chato, sem fazer pregação, então fazer as coisas de uma maneira um pouco mais leve. E eu acho que a gente tem conseguido tentar colocar cada vez mais valor de entretenimento no que a gente faz.


Site Oficina: O Senhor acredita que a TV Cultura, como o senhor sendo editor de jornalismo da parte internacional, consegue fazer um jornalismo público, realmente público, voltado para o público?

Adorno: Olha como eu disse antes a gente às vezes erra, mas a gente já ta num ponto em que a gente mais acerta do que erra. Porque a reação que a gente tem tido do nosso publico é muito boa. A gente tem sentido muito apoio, e quando eles começam a dizer que querem mais, realmente temos certeza de que a gente ta no caminho certo. Eu não considero que a gente já chegou numa fórmula, digamos assim, acabada, tranqüila, confortável. Muito pelo contrário, porque acho que as dificuldades vão aumentar, porque depois que você alcança esse patamar é muito difícil não resvalar para baixo, então a gente tem que fazer muita força, pra primeiro se manter nesse, depois continuar subindo.

Patrícia Miranda Guimaraes

 

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