A
pesquisa de opinião encomendada pelo jornal O Liberal, de Americana, mostra
que 54% da população não lê jornal porque não tem notícias interessantes.
Os entrevistados afirmaram que não lêem jornais porque o conteúdo não está
ligado aos interesses da população. A pesquisa foi efetuada nas cidades da
região onde o jornal circula. Segundo Marcos Brogma, editor chefe do O Liberal,
"o jornal tem que se identificar com o leitor e, para isso, o veículo precisa
estar sempre em contato direto com a população". Brogma relatou que uma das
saídas para que os jornais se aproximem da população é o repórter estar mais
tempo na rua e menos dentro da redação, complementando que o responsável pelas
pautas do jornal precisa estar ligado aos acontecimentos de interesses da
comunidade. A correria para fechamento das edições e a facilidade que a tecnologia
propicia hoje aos veículos de comunicação faz com que os jornalistas se distanciem
cada vez mais dos leitores. "Muitas vezes o jornalista faz a apuração dos
fatos por meio de telefone e não vai conferir realmente o que está acontecendo
nas ruas", revela. Brogma fez depoimento durante a V Semana de Comunicação
do ISCA-Faculdade e participaram também da mesa de debates Rodrigo Piscitelli,
editor chefe do Jornal de Limeira e Evaldo Vicente, proprietário do jornal
Tribuna Piracicabana. Uma alternativa já implantada por Piscitelli no Jornal
de Limeira para atrair público foi abrir um espaço no jornal onde o leitor
sugere as pautas e dá opinião sobre a edicão. "Esta é uma das alternativas
encontradas para que o jornal fique mais atrativo e possa atender a região
onde circula", revela. O formato do jornal já foi reestruturado de acordo
as opiniões recebidas dos leitores. Segundo Piscitelli, é impossível fazer
um jornal local sem que ele seja regional pois "os efeitos causados por uma
matéria podem repercutir na região toda", citando o exemplo da construção
da Usina Carioba, em Americana, quando houve muita repercussão sobre o projeto,
que foi intensamente acompanhada pela mídia. Já, Evaldo Vicente, da Tribuna
de Piracicaba, comenta que esta perda de interesse em ler jornais pode ser
observada nos grandes jornais de circulação nacional, onde este distanciamento
é mais visível. "A falta de contato com os leitores nos grandes jornais está
fazendo com que os jornalistas migrem para os veículos do interior pela boa
qualidade dos jornais", afirma. Segundo ele, o jornalismo local tem a possibilidade
de ser mais pesado e cobrar mais dos órgãos públicos, já o regional precisa
ser mais leve, pois não conhece a necessidade real de cada leitor devido a
este distanciamento.
Agnaldo F. Rodrigues
Alessandro Santos
O editor chefe do jornal O Liberal, de Americana, Marcos Brogma, esteve na V SemanadeJornalismo do Isca Faculdades. Expôs um pouco de suas experiências do dia-a-dia na redação e na estruturade um jornal regional. Há 53 anos no mercado, O liberal tem hoje 23 profissionais, de pouca idade, compondo sua redação.Com cobertura em toda região metropolitana de Campinas, o jornal tem uma tiragem média 20 mil exemplares com 130 mil leitores.
J.O - Com apenas 30 anos
de idade, a juventude traz uma visão diferente na elaboração
das notícias e no formato jornal?
M.B - Assumi a edição do O Liberal com 27 anos e hoje com 30,
acredito que a pouca idade influência pela energia e vitalidade da correria
do dia a dia de um jornal.
Que vantagem tem um jornalista de pouca idade em seu jornal? O os mais velhos?
M.B - A vantagem é que você pode moldá-lo e ele está
completamente sem vícios de outros veículos.Já os mais
velhos trazem uma enorme bagagem cultural que procuro extraí-la e aproveitá-la
ao máximo.
J.O - Como está
o mercado de trabalho para recém-formados à procura do primeiro
emprego? Há emprego para novos jornalistas na redação
do jornal?
M.B - Há campo sim, porém, o estudante de jornalismo deve ter
uma "bagagem" além da média, ler muito, conhecer a
língua e estar se reciclando a todo o momento.Procurei por três
meses um profissional qualificado e achei aqui mesmo no interior. As faculdades
da região estão preparando muito bem seus estudantes.
J.O - No debate você disse que 54% da população não
lê jornal, por que não há matérias interessantes.
Diante desse dado, como é a relação do jornal com o leitor?
M.B - Fizemos uma pesquisa de marketing e descobrimos que o maior problema
do jornal está na falta de notícias interessantes.Levamos os
jornalistas às ruas para interagir e ter um contato mais próximo
com o leitor, no entanto a participação é filtrada, sempre
respeitando sua opinião.
J.O - O Liberal circula
em quatro cidades? Quais critérios o jornal utiliza para definir qual
a melhor notícia?
M.B - Sim, ele circula em Americana, Nova Odessa, Santa Barbara D´oeste
e Sumaré. Definimos a melhor notícia analisando a realidade
local da cidade e global ou vice-versa.
J.O -Existem correspondentes nessas cidades?
M.B - Não, somente jornalistas setorizados que trabalham na sede do
jornal (Meio ambiente, política, educação, etc).Cada
jornalista tem sua fonte, tanto oficial quanto não oficial em cada
cidade que o jornal circula.
Alessandro Santos
Ricardo Bosqueti
Entrevista com Marcos Brogma,
Editor-chefe
do Jornal O Liberal, de Americana