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função do Gatekeeper na imprensa
O gatekeeper na verdade é uma das teorias que explicam o jornalismo. Sua função está intimamente ligada à ação pessoal deste profissional, que é o responsável pela seleção das notícias que vão ser publicadas - ele deve filtrar as notícias, porém não omitir dados importantes. Essa seleção de notícia tem uma interessante explicação segundo o autor WHITE (apud SOUZA 2002, p.39) "foram lançados estudos (muito antigos, datam de 1950 ao qual WHITE faz parte) com base na metáfora que explica o gatekeeping como: "uma seleção de informação em 'portões'
controladas por 'porteiros', havendo informação que passa
e outra que fica retida" (2002, p39) E é nesse aspecto do que passa e o que não passa, que parece haver um espaço para que o jornalista decida, e isto vai contra a idéia do jornalista ser um elemento neutro. O jornalista tem como principal função recolher, processar e difundir a notícia rapidamente, evitando que seu conteúdo não esteja suficientemente verificado. Esta análise das notícias é influenciada, dependendo do meio em que vive o jornalista. São influências que vão desde o seu ambiente social e comunitário até sua formação cultural e ideológica, é também muito importante a concepção ética do papel do jornalista, esta concepção está atrelada aos valores morais e aos princípios do certo e do errado, por ALTSHULL (apud SOUZA 2002,p.42). Portanto há muita subjetividade envolvida neste processo de seleção. A arbitrariedade está relacionada às empresas e suas respectivas hierarquias, às quais o jornalista pertence. Aqui estamos dentro de uma outra teoria, a organizacional. Segundo pesquisas de David Manning WHITE que analisou a atividade de Mr.Gates, um jornalista de meia-idade que trabalhava para um jornal médio norte-americano. Ele fez anotações por uma semana, a respeito do que o fazia descartar as notícias que não serviam. WHITE através dessa análise das anotações de Gates salientou duas categorias principais do que deveria ou não ser publicado. A primeira diz que a notícia pode ser rejeitada devido à sua pouca importância, a segunda diz que a seleção pode ser feita a partir de muitos relatos do mesmo acontecimento, segundo WHITE (apud TRAQUINA 2004, p.69). Essas duas categorias nos ajudam a entender "por que é que
as notícias são como são e por que é que temos
as notícias que circulam? " Um profissional pode abrir os "portões" (gates) para determinada informação em uma notícia e fechar para outras. Além disso, existem os profissionais, como os editores, que têm como objetivo abrir ou fechar o "portão" para as notícias que serão divulgadas, constituindo assim os verdadeiros gatekeepers. A teoria do gatekeeper foi duramente criticada por apresentar uma explicação basicamente psicológica para a questão das escolhas das notícias e esquecer aspectos sociais. O enfoque sobre a ação social seria dado pela teoria organizacional. Criada por Warren BREED (1955), essa teoria insere o jornalista no seu contexto mais imediato: a organização para a qual trabalha."O sociólogo norte-americano acredita que o jornalista acaba por ser socializado na política editorial da organização através de uma sucessão muito discreta de recompensa e punição" BREED (apud TRAQUINA 2004, p.71). Ele destaca também os constrangimentos organizacionais pelos quais passam os jornalistas e considera que estes obedecem muito mais as normas e a política editorial da empresa, do que seus impulsos pessoais na hora da escolha das notícias. As notícias de um modo geral quando chegam até os leitores não foram determinadas só pela subjetividade do jornalista e sim por fortes exigências da estrutura das organizações de determinar a seleção e até o enquadramento dado à notícia. São raros os jornalistas que não se colocam a favor da linha política/editorial da empresa. A maioria acaba por aceitar o sistema imposto, em virtude de vários fatores que englobam:j as punições e recompensas; ko sentimento de estima para com os superiores e o medo de magoá-los; a vontade de crescer profissionalmente (jornalistas que se enquadram à linha política/editorial da empresa têm maior oportunidade de alcançar cargos de chefia); lo prazer da atividade (os jornalistas, apesar de não receberem altos salários, na maioria das vezes estão contentes com sua atividade por sentirem que estão de alguma maneira contribuindo para uma sociedade melhor) por TRAQUINA (2004 p.72 e 73). Um outro tipo de pressão sofrida pelos jornalistas é o fator tempo, acentuado pela competitividade, levando-os a relatar com freqüência histórias em situações de incerteza, seja porque nem sempre reúnem os dados almejados ou porque necessitam uma seleção mais rápida dos acontecimentos e informações. Esse fator tempo é também responsável para que se atinja a profundidade das notícias. Como ele é escasso, acaba deixando-as num plano superficial ao invés de estarem num plano contextual. E além disso, quanto menor é o tempo de escolha do jornalista, quanto mais ele se aproxima do deadline, maior a cobrança da organização sobre ele. Uma autora que não pode deixar de ser citada é Gaye TUCHMAN, que estudou as causas que explicam como os "newsworkers" decidem o que é notícia e quais notícias entram ou não na pauta. Esse estudo levou a autora a pesquisar durante dez anos, jornais impressos e estações de TV dos Estados Unidos, observando e entrevistando os profissionais que iam desde os repórteres, editores-chefe, assistentes e até mesmo os fotógrafos. E dessa pesquisa ela concluiu que há uma espécie de negociação presente na produção das notícias, e na maioria das vezes são as necessidades organizacionais que acabam ditando as regras do que vai ou não ser publicado. Segundo Mauro WOLF, o conjunto de fatores que determina a noticiabilidade dos acontecimentos permite efetuar, cotidianamente, a cobertura informativa, mas dificulta o aprofundamento e a compreensão de muitos aspectos significativos dos fatos apresentados como notícias. A noticiabilidade, dentro desta visão, constitui um elemento da distorção involuntária contida na cobertura informativa dos mass media. Isso significa que os critérios de relevância são, por um lado, flexíveis e variáveis quanto à mudança de certos parâmetros e, por outro, são sempre considerados em relação à forma de operar do organismo que faz a informação. Definida a noticiabilidade como o conjunto de elementos através dos quais o órgão informativo controla e gere a quantidade e o tipo de acontecimentos, de entre os quais há que selecionar as notícias, pode-se definir os valores/notícia como um componente da noticiabilidade. Esses valores constituem a resposta à pergunta: quais os acontecimentos que são considerados suficientemente interessantes, significativos e relevantes para serem transformados em notícias? Como explica Mauro WOLF, os valores/notícia operam de uma maneira
peculiar, ou seja, a seleção das notícias é
um processo de decisão e de escolhas realizadas rapidamente. O autor ainda faz duas considerações importantes sobre os valores/notícia. A primeira é a respeito do caráter dinâmico do que é notícia: mudam no tempo e no espaço, não permanecendo sempre os mesmos. Hoje, assuntos relevantes podem deixar de ser amanhã. Outra consideração é a respeito dos chamados single issue moviments, isto é, aos movimentos de opinião que se solidificam na sociedade civil e passam a ser notícia. Segundo Mauro WOLF, os valores/notícia derivam de pressupostos
implícitos ou de Dentre os critérios substantivos, o autor explica que se articulam em dois fatores: a importância e o interesse da notícia. A importância, segundo o autor, pode ser definida a partir dos seguintes critérios: a) grau e nível hierárquico dos indivíduos envolvidos no acontecimento noticiável: quanto mais o acontecimento disser respeito aos países de elite, tanto mais provavelmente se transformará em notícia.; b) impacto sobre a nação e sobre o interesse nacional; c) quantidade de pessoas que o acontecimento (de fato ou potencialmente) envolve; d) relevância dos acontecimentos quanto à evolução futura de uma determinada situação. Conforme esclarece WOLF, o gatekeeping nos mass media inclui todas as formas de controle da informação, que podem estabelecer-se nas decisões acerca da codificação das mensagens, da seleção, da formação da mensagem, da difusão, da programação, da exclusão de toda a mensagem ou das suas componentes. Sobre este tema, o autor afirma que as pesquisas são unânimes em esclarecer que, na seleção, as referências implícitas ao grupo e ao colegas e ao sistema das fontes, predominam sobre as referências implícitas ao próprio público. A principal fonte de expectativas, orientações e valores profissionais não é o público, mas o grupo de referência constituído pelos colegas ou pelos superiores. TRAQUINA define bem esta linguagem usada entre os jornalistas, ele a chama de "jornalês". Não menos importante em todos esses estudos é a teoria do espelho Após termos visto duas teorias que explicam o fabrico e a seleção das notícias (gatekeeper e organizacional), vejamos porque a teoria do espelho apesar de sua óbvia lógica é talvez uma das teorias mais atacadas. A princípio a idéia desta teoria veio influenciada pela invenção da fotografia. Surge então uma comparação entre jornalistas e fotógrafos. O papel do jornalista seria o mesmo do fotógrafo, ou seja, somente registrar a realidade como ela se apresenta sem qualquer tipo de interferência pessoal, isto levando-se em conta que o fotógrafo não usava de subjetividade nenhuma, começava aqui uma comparação equivocada, pois o fotógrafo podia dar o tom pessoal que quisesse em qualquer trabalho. Mas a teoria do espelho pregava que o bom jornalista era aquele sujeito que observava tudo desinteressadamente e registrava o que via de maneira honesta e equilibrada. E além disso, era extremamente cuidadoso para que sua opinião não estivesse presente na notícia. E aqui está toda a fragilidade desta teoria, pois tanto o fotógrafo quanto o jornalista carregam consigo uma grande carga de subjetividade. As teorias que explicam como se dão as aquisições de conhecimentos vêm nos mostrar que o ser humano não consegue assimilar a realidade em toda sua extensão e a escolha dos fatos a serem memorizados obedecem a padrões subjetivos. Mesmo assim a teoria do espelho ainda é uma bússola norteadora dos manuais de redação e das regras de conduta dos jornais. Parte-se do princípio de que seguir as regras do bom jornalismo, ou seja, escrevendo as matérias de maneira impessoal, ouvindo os dois lados da questão, o jornalista estaria retratando com maior fidelidade a realidade. Pelas razões acima demonstradas é que vemos a teoria do gatekeeper com grande relevância pois os espaços de divulgação das notícias hoje soa muito reduzidos, seja no impresso, no rádio, na televisão, na Internet. A oferta de informações é gigantesca. O gatekeeper tem muito valor e responsabilidade nessa filtragem das notícias. Vejamos agora a teoria do gatekeeper no ambiente da Internet ( nova mídia) "A manifestação violenta nas formas interativas dos meios de comunicação chamou a atenção dos estudiosos em comunicação na segunda metade dos anos noventa. O uso da mídia tal como na Internet, obviamente não só envolve a participação ativa nos papéis tradicionais de seleção e geração de notícias, como também nos meios de criá-las. Entretanto, os tradicionais destinatários não são os únicos a serem afetados por esta mudança. Os tradicionais remetentes das notícias da mídia - os jornalistas - têm que enfrentar não somente um novo método de se pronunciarem mas também com o que pode se tornar uma mudança fundamental em seu papel no processo de comunicação. Pode parecer que a noção de gatekeeping sai pela janela ( window ) na Internet, a rede (net) e a sua cobertura WWW ( World Wide Web), amiga do usuário, é o melhor exemplo da comunicação moderna; ela fornece a oportunidade para a criação de um enorme " pastiche" pessoal, na qual tudo o que importa, que têm um significado é relativo a uma perspectiva individual. Eles não precisam de alguém que condense e embale a sua informação, não precisam que outros lhes interpretem essa informação, embora poucos estudos publicados tenham se dirigido especificamente ao gatekeeping nos meios on-line. Há alguma evidência de que jornalistas vêm essa função não como em extinção, mas sim adptável. Uma pesquisa feita por SINGER (1997) indica que as pessoas de dentro de uma sala de redação estão mudando suas definições sobre o gatekeeper e também reunindo conceitos sobre controle de qualidade e credibilidade. Em particular, eles vêm seu papel como intérpretes dignos de crédito de um volume considerável de informação como fundamental valia ou mesmo sobrevivência no ambiente da nova mídia. Suas descobertas se alinham no mais recente levantamento feito por WEAVER e WILHOIT (1996), de que os jornalistas continuam a enxergar seu principal papel mais como intérpretes do que mero coletores e disseminadores de informação. Estas descobertas levantam interessantes questões em série
para que os pesquisadores da mídia interativa possam ir ao encalço.
Será que o número crescente de jornalistas que agora trabalham
on-line também dão valor ao papel interpretativo? Se dão
como poderiam se ver cumprindo esse papel ? O outro caminho seria verificar
se há necessidade real ou perceptível do gatekeeping ou
o papel de credibilidade, tanto entre jornalistas como membros do público,
aumentaria ou decresceria conforme o montante de informação
se expande e as pessoas se tornam aptas a fazerem seus próprios
julgamentos.
A re-examinação da teoria do gatekeeping pode então gerar perguntas tanto abundantes como substanciais". (versão de um texto de: SINGER,1997 ) O gatekeeper é "quem determina o que atravessa o portão de entrada no jornal, o que será visto pelo leitor". Em última análise, o gatekeeper é aquele que determina o que será notícia e o que não será. O que será divulgado no mainframe dos meios de comunicação e o que não será. Essa idéia, no entanto, pressupõe que o leitor não possa ter acesso à fonte do próprio gatekeeper, que ele apenas conheça a informação do ponto de vista do gatekeeper. De acordo com Souza (2002, p. 89), "para essas pessoas [internautas], os órgãos jornalísticos não funcionam como gatekeepers". Isso porque na Internet é possível ir direto às fontes primárias da informação, procurar outros pontos de vista e discutir as informações. A Internet está influenciando, de modo direto, a agenda dos veículos de informação mais tradicionais. Percebe-se que fluxos "oficiais" circulam juntamente com aqueles "não oficiais". Dentro desse fluxo caótico, qualquer um pode ser um gatekeeper. Qualquer um, por exemplo, pode comentar a situação de uma guerra. Neste contexto, será possível falar em gatekeeping? E quanto à recepção, à absorção dessas notícias pelo público? Do ponto de vista das empresas de comunicação, o conhecimento mais apurado do perfil, necessidades e mecanismos de busca de informação do público-alvo é elemento de grande importância para a competitividade do veículo entre os demais. Conforme SCHUCH (2004), o jornalismo mostra um movimento em direção à competição acirrada sintonizado ao ambiente competitivo que se estabelece no país. Como estratégia para se sobressair neste embate, SCHUCH (2004) cita a segmentação e a diferenciação em relação aos concorrentes e para isto é fundamental "agradar" o público-alvo levando-lhe a informação necessária a sua tomada de decisão, na linguagem e veículo que se adapte a sua realidade. É nesse aspecto da escolha do público alvo que também são baseados os critérios que possibilitam a transformação dos fatos em notícia. Há também que se despender uma atenção especial com o público receptor dessas notícias, esta é seguramente mais uma das preocupações do gatekeeper.
Bibliografia
SCHUCH, H.A. Jornalismo e Ambiente Econômico Competitivo. Portal-RP
- Estante Interdisciplinar. In: www.portal-rp.com.br/biblioteca/textos/inter_010htm.
Acessado em 10/11/2004.
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Estação
Jornalismo
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